Amado nunca foi uma das pessoas mais queridas no seu meio social. Desde os tempos de colégio, nunca teve um grupo fixo de amigos. Sair para festar, definitivamente não era com ele! Sempre preferiu ficar em casa com livros, computador e videogame. Era conhecido como “Amado Tapado”. Amado mesmo, só pelos pais e pela avó, que o considerava o orgulho da família.
Na faculdade, decidiu mudar seu status social. Essa era a época para que ele aproveitasse o momento e fizesse amigos para o resto da vida. Entretanto, seu plano não funcionou muito bem. A tormenta do colegial havia passado, mas ele ainda era “Amado Tapado”, ou ainda “Lesado” ou “Capado”.
A sorte de Amado estava para mudar: na primeira festa da turma, envolveu-se com a organização, contando com que isso melhorasse sua popularidade. Contra a vontade da família, disponibilizou sua própria casa, montou seu aparelho de som, gravou CDs e comprou os mais diversos tipos de bebida alcoólica.
A festa foi um sucesso: todos se divertiram e beberam livremente, assim como Amado. Nem o mais fascinante de seus sonhos poderia ser melhor: arrasou na pista de dança (Amado Animado), virou várias doses (Amado Embriagado), fez vários amigos (Amado Empolgado), ouviu as mais secretas confissões de meninas que atingiram o grau etílico da sinceridade (Amado Aliado) e ficou com a maioria daquelas que não sabiam o que estavam fazendo (Amado Tarado).
No fim da festa, foi ele quem limpou toda a sujeira do local e levou boa parte dos seus novos amigos para casa. Enfrentou os pais no dia seguinte por causa da bagunça e da música alta. Deu trabalho, mas sabia que valeria a pena. Mal conseguiu dormir naquela noite, imaginando que viraria “Amado Idolatrado”.
Nos corredores da faculdade, os membros da festa estavam indiferentes. Parecia que a noite anterior fora um sonho, vivido apenas por ele. Deixou os adjetivos da noite anterior para voltar a ser “Amado Lesado”, “Capado” e “Tapado”. Agora, nem para sua família era “Amado Amado”.